Conexão Digital
01/10/2019
Como e por que ter uma identidade visual forte

    Você pode estar pensando que vale muito mais ter uma empresa lucrativa com uma identidade visual mediana do que o contrário. Sim, você está completamente certo!

    Se a empresa é bastante lucrativa mesmo tendo uma marca mediana mal aplicada é sinal de que vários outros pontos importantes em sua gestão foram levados em consideração desde sua fundação e isso é ótimo. Entretanto, é importante entender que, se a empresa quer alcançar um grau de importância pública, necessitará de uma marca eficiente e com uso adequado para gerar uma imagem positiva e com a linguagem de seu tempo. 

    Se a empresa for pequena e desconhecida, é ainda mais importante ter uma identidade visual consolidada e bem aplicada, pois sua imagem será mais respeitada desde o princípio perante um público que ainda mal a conhece. Muitas vezes, por mais pequena que seja, se uma micro empresa tiver uma boa marca com sua aplicação uniforme em vários meios, pode aparentar ser bem maior do que é. Apresente sua empresa como os grandes fazem e dê a impressão de ser maior e mais organizado do que a concorrência direta.

    Para a maioria dos povos orientais, sobretudo para os japoneses, quanto mais organização, maior a presença do divino. Um exemplo disso é a admiração pelo origami (dobraduras de papel), ikebana (arranjos florais) e os bonsais (arte de miniaturizar árvores).

                    

     

     

     

     

     

    Desorganização sempre lembrará para ocidentais e orientais o caos, a confusão e, por consequência, problemas e ineficiência.

    Organização e planejamento lembram lucratividade, eficiência e retorno positivo. Quem contrata uma empresa com uma marca mediana sem padrões de uso pode ser levado a pensar que o serviço ou produto oferecido ao público também é mediano e ineficiente. Se a marca é mediana, pode parecer que ela representa produtos ou serviços inferiores.

    Experiência é tudo para as relações que o público tem no mercado. A empresa pode até oferecer menos frente aos concorrentes, mas a experiência do cliente deve ser superior, seja no primeiro contato com a identidade visual da empresa, como na entrega e satisfação do cliente.

    Já que a identidade visual é talvez a primeira porta de percepção do público com a experiência que ele terá com uma empresa, por que não fazer com que esta apresentação seja exclusiva, ímpar e impactante?

     

     

     Que imagem você quer passar? 

     Esqueça a ideia de que uma marca é apenas um desenho simples que define o nome de uma empresa, instituição, projeto, produto ou serviço. Definitivamente esta é uma ideia equivocada orientada pelo fato de que uma boa marca acaba por ter elementos muitas vezes fáceis de reproduzir. Por teste único motivo, muitas pessoas podem imaginar que qualquer um poderia tê-las criado. Esqueça este senso comum!

    Quanto mais coesa, simples e forte é uma marca, provavelmente mais horas de trabalho foram demandas por um designer ou por uma equipe de designers para criar a representação gráfica que a definiu. Há exceções, mas são muito raras.

    Pense nas grandes marcas que você se lembra de cabeça. A maioria absoluta das marcas que você pode lembrar é constituída por elementos muito simples, que muitas vezes podem ser até mesmo redesenhadas e certamente lembradas por alunos de séries iniciais.

    Apple? Wolkswagen? Microsoft? Mercedes-Benz? Coca-Cola? Ebay? Playboy? Google? HP? Nike? Facebook? Sim, todas elas possuem excelentes produtos e serviços e têm uma identidade visual forte e coesa.

     

    Veja abaixo a lista da Revista Forbes com as dez mais valiosas marcas do mundo em comparação entre os anos de 2015 e 2014.

     

     

    Objetivos e visões a serem seguidos

    Se você quer criar ou recriar uma identidade visual forte, comece por definir os seus objetivos.

    A marca e toda a identidade visual devem ser a porta de entrada da percepção que o público terá para a personalidade e conceituação de uma instituição. Gaste mais tempo com a definição dos objetivos, conceitos e visões para só depois buscar um profissional para a representação gráfica que apresentará o que se quer passar. Muitos designers auxiliam a empresa buscar estes objetivos como parte do seu trabalho.

    Se estiverem claros para você quais são os objetivos e sua postura, o trabalho do designer será menos dificultado e o público entenderá facilmente sua mensagem.

    Procure profissionais que busquem a conceituação de sua marca e não apenas aqueles que estão preocupados em criar uma marca bonitinha seguindo as tendências temporais.

     

    Como escolher um designer para criação ou recriação de sua identidade visual

    Solicite aos contatos de sua network sugestões de profissionais aproveitando para avaliar com amigos e parceiros as experiências que tiveram com o indicado. Se não tiver algum contato disponível, procure na Internet profissionais de sua região e avalie seu portfólio. O portfólio com empresas e instituições conhecidas por você é a prova maior de que o profissional é experiente e pode lhe prestar um excelente serviço.

    Um bom profissional fará uma etapa de pesquisa e conceituação para e só depois partirá para a criação de alguma representação gráfica para lhe apresentar. Por isso, peça orçamentos bem detalhados que apresentem os detalhes do projeto com suas etapas bem definidas.

    Profissionais sem muita experiência farão criações baseadas em rápidos contatos com você e sua equipe e fatalmente apresentarão soluções gráficas que dificilmente atingirão seus anseios e objetivos.

     

    Confie no designer!

    Você já escolheu com quem trabalhar, então confie “no taco” do profissional! 

    Dê a maior quantidade de informações para que ele (ou eles) possa entender sua proposta e que possa exprimir graficamente o que você quer apresentar ao público.

    Mais vale uma boa proposta bem embasada do que três propostas com pouco embasamento conceitual. Fuja da cilada de propor ou aceitar a produção de mais de uma versão de identidade visual para que você e sua equipe possa escolher a melhor. A possibilidade de você e/ou sua equipe faça mesclas de ideias das soluções gráficas criadas é diretamente proporcional ao nível de criatividade à disposição. Já presenciei pelo menos por dez vezes membros de equipe formarem marcas Frankstein. É um péssimo final para uma marca.

    Peça uma solução bem embasada e, se não lhe agradar, refaça alguns pontos. Se ainda assim  a solução final não lhe agradar, reinicie o processo de criação junto com o designer.

     

    Coesão, flexibilidade e aplicabilidade

    As tendências de cada época determinam a criação de projetos gráficos de estilos diferentes. Um exemplo disso se deu nos anos 2000 com a chegada de computadores mais potentes, muitos profissionais trabalhando na área de criação e métodos digitais de impressão cada vez mais rápidos e acessíveis. Nestes anos, as marcas partiram para as três dimensões, criando-se volumes e usando cores complexas.

    Hoje vemos marcas voltando a realidade das décadas anteriores, onde as marcas fortes possuem linhas simples e poucas cores na grande maioria das vezes.

    Opte sempre que possível pela criação de marcas de rápida percepção e de fácil reprodução nos mais variados meios de comunicação. Quanto mais simples for a marca, menos problemas de aplicabilidade você terá.

    Em geral uma marca forte e coesa é aquela que:
    - pode ser reproduzida facilmente em quaisquer meios;
    - pode ser transformada em um carimbo (esta é uma definição pessoal minha J );
    - pode ser reduzida em formatos pequenos ou vista à distância com reconhecimento visual pleno;
    - pode ser bordada em tecidos sem perda de legibilidade;
    - depois de apresentada é facilmente lembrada pelo público.

     

     

     Manual de identidade visual

    Item essencial para o uso de uma marca, definindo como a mesma deve ser aplicada na grande maioria dos meios. Um manual de identidade visual pode ter um formato simplificado ou prever uma séria de aplicações mais complexas.

    Não deixe de contratar a criação de uma identidade visual acompanhada de seu respectivo manual para que sua marca seja aplicada da forma correta por colaboradores, fornecedores e parceiros.

    Se sua empresa for grande, disponibilize o manual e as versões da marca em formato digital para evitar principalmente que fornecedores apliquem de forma equivocada a marca. Muitos profissionais envolvidos em processos gráficos adoram tomar decisões e não respeitar os manuais de identidade visual. Fique atento à aplicação da marca por gráficas e designers contratados de forma esporádica. Se sua instituição for médio ou grande, sugiro inclusive que crie um setor ou adicione esta função a um setor similar para que haja um profissional com esse objetivo dentro do quadro funcional.

      

    Veja abaixo tipos de manuais de identidade visual e o que normalmente constituem seus itens:

    Manual de identidade visual breve:
    - Uma única folha com as aplicações mais típicas;
    - Versões vetoriais para uso em diversas mídias.

    Manual de identidade visual médio (mais comum):
    - Versões vetoriais para uso em diversas mídias;
    - Conceituação da marca;
    - Instrução para o desenho dos elementos para reprodução facilitada;
    - Uso de cores e paleta utilizada (RGB, CMYK, Pantone, Vinil, Tinta fachada);
    - Versão da marca horizontal e vertical;
    - Versão monocromática;
    - Tipologia principal e de apoio;
    - Uso de fontes para a marca, slogan, selling line, etc.
    - Padrões para identificação de departamentos, divisões e setores diversos (instituições maiores);
    - Aplicação da marca em fundos diversos (fundos claros, escuros, multicoloridos, fotográficos e vídeo);
    - Papelaria institucional (papel timbrado, envelopes, cartões de visita);
    - Imagens para uso em redes sociais;
    - Assinaturas de email;
    - Aplicação com redução e ampliação;
    - Usos indevidos simulando erros mais comuns;

    Manual de identidade visual completo
    - Todos os itens do manual médio;
    - Pastas, etiquetas, rótulos de CDs ou DVDs;
    - Letreiros e fachadas;
    - Sinalização interna ou externa;
    - Crachás dos colaboradores e visitantes;
    - Assinaturas conjuntas com outras marcas para apoios e patrocínios;
    - Brindes (chaveiros, canecas, copos, canetas, sacolas, camisetas);
    - Identificação de frota de veículos;
    - Uniformes dos colaboradores;
    - Rótulos de embalagens.

    Para cada tipo e tamanho de uma instituição, há um tipo de manual de identidade visual. Claro que seria interessante que qualquer empresa tenha um manual completo. Entretanto, não vale a pena pagar pela produção de um manual completo se a empresa for pequena e não ter uma frota de veículos ou embalagens de produtos.

    Se você quiser reduzir investimentos, contrate pelo menos um breve manual de identidade visual. Se o projeto for destinado a uma grande empresa, universidade ou projeto com grande visibilidade invista num manual completo para prever a grande maioria das aplicações da marca e normatizá-la. Um manual de identidade visual é importante sobretudo para instituições horizontais com sedes em várias cidades, estados ou até países. Neste caso, culturas e formações muito diversas podem dificultar ainda mais o uso correto da marca.

    O manual não fará a previsão de todas as aplicações possíveis em todos os meios, pois sempre surgirão aplicações que não foram previstas no manual de identidade visual, mas a publicação deve antever a grande maioria das peças aplicadas e evitar os erros mais comuns.

     

    Registre sua marca

    Independentemente do tamanho de sua empresa, registre a marca para que décadas depois de sua criação uma outra empresa não o faça, detendo neste caso todos os direitos sobre o uso de seu nome e desenho final.

    No Brasil, o registro é feito o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e poder ser feito diretamente pelo interessado. Entretanto, recomendo que você procure um escritório especializado de marcas e patentes para fazer o registro, pois o processo de registro é extenuante e demorado. O depósito de registro leva, em média, dois anos para ser finalizado.

    Bons designers e empresas do segmento de comunicação possuem parceiros na área de marcas e patentes. O designer que criará sua identidade visual pode lhe sugerir um parceiro para este serviço.

     

    Se a verba for curta, faça um breve manual, mas faça!

    Em seu plano de negócios reserve investimentos para a criação de uma identidade visual com um profissional ou empresa que tenha experiência suficiente para atingir seus objetivos de comunicação eficientemente.

    Se a verba estiver curta, tente rever seu planejamento e busque recursos para esta etapa. Uma marca bem elaborada poderá estar junto com você por décadas e, quem sabe, ser muito conhecida do público.

     

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    Depois de criar a identidade visual da sua empresa, projeto ou serviço, venha fazer um site com a EquipeDigital.com! Se desejar, podemos desenvolver a identidade visual de sua empresa antes da criação do site. 

    Entre em contato e peça um orçamento sob medida para o seu projeto.

     

    Vicenzo Berti trabalha com design gráfico desde a década de 1990 e participou da criação de várias marcas para empresas, eventos, projetos e instituições reconhecidas.

    Entre seus projetos mais importantes estão a criação e coordenação do Sistema de Identidade Visual da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2006 (coordenando o trabalho de João Mondenhauer) e a criação da marca e respectivo Manual de Identidade Visual da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) coordenando o trabalho de Tiago Moritz.

    Conheça mais trabalhos de Identidade Visual desenvolvidos pela EquipeDigital.com neste link: http://www.equipedigital.com/noticia/portfolio-de-projetos-de-identidade-visual-da-equipedigitalcom